Quando uma empresa enfrenta dificuldades financeiras e deixa de pagar seus compromissos, o banco não apenas aguarda o recebimento. Existe um mecanismo chamado provisionamento bancário, que obriga as instituições a registrar contabilmente o risco de não receber.
Esse detalhe, pouco conhecido por empresários, pode se tornar uma poderosa ferramenta na negociação de dívidas.
O provisionamento bancário está previsto na Resolução CMN nº 2.682/1999, que exige que os bancos classifiquem os créditos de acordo com o risco de inadimplência. Assim, quando um cliente atrasa pagamentos, a instituição precisa registrar uma despesa contábil, chamada Provisão para Devedores Duvidosos (PDD).
Esse registro reduz o lucro do banco e pressiona a instituição a adotar medidas para recuperar ao menos parte do valor devido. Por isso, entender em qual fase de provisionamento sua dívida está pode abrir oportunidades estratégicas para negociar descontos e condições melhores.
Quanto maior o tempo de inadimplência, maior o nível de provisão exigido pelo Banco Central. Débitos com mais de 180 dias, por exemplo, podem chegar ao chamado Nível H, em que a dívida é provisionada em 100%. Isso significa que, na contabilidade do banco, aquele valor já foi considerado perda total.
Nesse cenário, negociar pode ser muito vantajoso. Afinal, é preferível para o banco recuperar parte da quantia de imediato do que carregar um prejuízo integral nos demonstrativos. É aí que os empresários atentos podem usar a linguagem financeira, falando em PDD, provisão total ou Nível H, para demonstrar conhecimento e conquistar melhores condições.
• Identificar a fase da dívida: saber se está provisionada em 30%, 50% ou 100% ajuda a mensurar o espaço de negociação.
• Argumentar com base no impacto contábil: mostrar que o banco pode reduzir perdas ao aceitar um acordo imediato.
• Oferecer pagamento à vista com desconto: quanto maior a provisão, maior a margem para descontos agressivos.
Uma dívida de R$1 milhão provisionada em 100% pode ser negociada para pagamento imediato de R$400 mil, gerando desconto de 60%.
Para o banco, é mais vantajoso recuperar parte agora do que manter um prejuízo integral em seus balanços.
Entender o provisionamento bancário é um diferencial poderoso, mas transformar esse conhecimento em resultados exige estratégia e segurança jurídica.
A equipe da Martins Felix Advogados é especializada em direito bancário empresarial e atua diretamente na negociação de dívidas, buscando reduzir valores e proteger o patrimônio de empresários e produtores rurais.
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